Entrevista com Rubens Donizete Valeriano – O Rubinho   Leave a comment

 

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Rubinho defendendo a Seleção Brasileira - Camberra 2009

 

 

Conheci o Rubinho ano passado, aqui mesmo em Santa Cruz, onde ele fez sua primeira prova depois das Olimpíadas de Pequim, e conquistou o Moda Cup 2008. A primeira impressão que ficou dele foi um tanto contraditória. Um cara super simples em tudo que não fosse referente à bike por um lado e por outro um atleta extremamente metódico, preocupado com cada grama capaz de deixar sua bike, à época uma Kona. No briefing do Moda Cup ele deu um depoimento sobre toda sua trajetória no MTB até as Olímpiadas, e naquele momento vi que sua história merecia ser conhecida por outras pessoas.

O servente de pedreiro mudou o rumo da sua própria história até fazer de si mesmo um atleta de alto nível. Toda essa transformação não veio de graça. Ele ralou muito para estar onde está e teve que aprender muita coisa também. Segundo seu treinador, Cadu Polazzo, ele “não acreditava em treinador. Levou um tempo para ele se adaptar, e uns três anos até começar a ter rendimento” (Go Outside, março/2009, p. 74).

Desde que começou a trabalhar com Polazzo já se passaram seis anos. A determinação e o esforço valeram a pena e em janeiro desse ano, sua carreira deu uma guinada com a assinatura do contrato com a equipe Merida Brasil, a primeira a lhe oferecer um salário, no sentido estrito do termo, e uma infraestrutura que não dispunha em equipes anteriores.

Os novos ares e a nova estrutura já mostraram resultados como, por exemplo, seu melhor desempenho em campeonatos mundiais, em Camberra.

Mesmo com tantos compromissos de treinamentos, competições e eventos como Bike Expo Brasil, o Rubinho achou um tempo para responder a essa entrevista realizada por e-mail. Sua trajetória, um balanço do ano que está terminando, equipe, jovens talentos e muito mais você confere agora.

Preparando esse post, sinto que poderia ter feito várias outras perguntas. Pensei até em suspender a publicação e fazer um complemento com novas questões mas não vou fazer não. Fica pra próxima.

 

Bi-campeão do Short Track São Silvano

 

Medalha importantíssima para toda a modalidade

 

 

 

Você é hoje um dos principais mountain bikers do país. Onde essa história começou?

Minha história começou no ano de 1996, quando participei de minha primeira competição por incentivo de amigos, nessa época eu não treinava, e trabalhava o dia todo. A partir da primeira competição, por ter tido um bom resultado tomei gosto pelo Mountain Bike e desde então não parei mais. Embora tenha sido difícil nos primeiros anos, tendo que conciliar treino, competição e trabalho, o que muitas vezes me fazia pensar em desistir, a vontade de ser um atleta profissional sempre falou mais alto.

Você se lembra daquela bicicleta emprestada que te ajudou a conquistar o quarto lugar na Copa Interestadual? Digamos que é um pouco diferente do equipamento que você dispõe hoje em dia…

Em várias ocasiões no passado, contei com a ajuda de amigos que me emprestavam a bike para competir, são tantas as ocasiões que não me recordo dessa em especial. Mas me recordo de uma vez que competi, onde meu amigo correu na categoria Júnior, e assim que chegou me emprestou sua bike, para que eu largasse na categoria sub-23, já que minha bike tinha estragado durante o reconhecimento. Me lembro que em algumas ocasiões, quando a minha bike quebrava, alguns amigos deixavam de competir para me emprestar a bike.

A Merida dispõe hoje de uma das melhores estruturas do país. Nos fale um pouco das pessoas que trabalham com você, os atletas, o staff.

A equipe Merida disponibiliza para nós atletas, uma estrutura semelhante à de equipes no exterior, e com certeza, todo esse empenho reflete nos resultados dos atletas que compõem a equipe. É importante ressaltar que toda à equipe, atletas, mecânicos, técnico, treinador, enfim, todos que fazem parte da equipe são como uma família, e isso também é muito importante e reflete diretamente no desempenho do atleta.

Seu primeiro semestre foi muito forte. Quais foram as principais vitórias?

No primeiro semestre, apesar de estar bem preparado com relação à treinamento, me deparei com alguns problemas em algumas competições importantes, como a primeira etapa da Copa Internacional (Araxá) onde contei com um pneu furado, terminando em terceiro lugar, e no Chile, o Pan de MTB, onde tive grandes dificuldades com relação à altitude. Ainda assim, no primeiro semestre de 2009 conquistei o título de campeão dos 70 km de Ceilândia, venci as duas primeiras etapas do GP Ravelli, venci as da primeira etapa da Copa Inconfidentes e venci a segunda etapa da Copa internacional em São Lourenço . Entretanto, embora os resultados do primeiro semestre tenham sido significativos, foi no segundo semestre que obtive meus melhores resultados: Bi-Campeão da Copa Internacional, Bi-Campeão do Short Track São Silvano, Campeão do GP Ravelli 2009, Campeão da Copa Ale Inconfidentes, Campeão da inédita Copa Internacional VZAN, Campeão da primeira etapa do X-Terra – Estrada Real, e contei ainda com um excelente resultado no mundial da Austrália, onde conquistei a 31ª colocação, me colocando como melhor latino-americano e 6° melhor das Américas.

Como você avalia sua participação no Campeonato Mundial. Ano passado você ficou em 25º, foi o melhor brasileiro e o 4º das Américas. Seus objetivos foram atingidos em Camberra?

Ano passado, embora tenha obtido uma colocação melhor no mundial do que neste ano na Austrália, acredito que tenha realizado um desempenho melhor neste ano, pois, de todas as competições internacionais, inclusive as Olimpíadas em Pequim, foi na Austrália que cheguei com menor diferença de tempo para o líder da prova. Nas outras competições eu sempre ficava acima de 10 minutos do líder, sendo que nas Olimpíadas cheguei aproximadamente 9minutos e 30 segundos do líder. Já na Austrália, pela primeira vez cheguei pouco mais de 7 minutos do líder, o que mostra que meu desempenho esta melhorando. O fato de ter ficado na 31ª colocação se deve ao fato de que na Austrália havia um maior número de competidores, sendo que os brasileiros largaram a partir da quarta fila. Dessa forma acredito que meu desempenho vem melhorando ao longo destes dois anos.

Como você vê o trabalho que é feito com os jovens mountain bikers do país? Algum garoto te chama a atenção?

Eu acredito que deveria haver um incentivo maior para a garotada de base, na maioria das vezes as empresas patrocinadoras se interessam em atletas das categorias pró ( Sub-23 e Elite). Neste caso, os atletas de base são desmotivados pela falta de patrocínio. Dentre esses atletas, me chama atenção o Frederico (da Júnior) e o Luís Henrique Cocuzi, da categoria Juvenil, são dois atletas que têm grande potencial e talento.

Uma das grandes novidades do ano foi a parceria inédita entre a CBC e o Banco do Brasil. Como você está vendo esse trabalho? Os atletas estão sendo consultados a respeito do planejamento sobre as próximas temporadas?

A parceria é muito boa, e eu acredito que vai melhorar muito para o ciclismo em geral. Todavia, os atletas geralmente não são consultados a respeito do planejamento, embora, a cbc sempre esteja aberta a proposta dos atletas.

Qual será seu calendário para o ano que vem? O ciclo olímpico já começou?

Ainda não está definido o calendário para o ano que vem, mas, é a partir do ano que vem que o Brasil sai em busca da vaga para as Olimpíadas de Londres, dessa forma, acredito que a CBC juntamente com o banco do Brasil, deve investir na possibilidade de levar os atletas brasileiros a participar de mais competições no exterior, que contam pontos para a conquista da vaga Olímpica. Depois da conquista da vaga, aí sim, acredito que será feita uma seletiva no Brasil, com o objetivo de levar o melhor brasileiro a representar o Brasil na temperada em questão. Eu, junto com meu treinador Cadu Polazzo, e minha equipe, Merida – Cateye – TMP embalagens e meus outros apoiadores, acreditamos na possibilidade de mais um ciclo olímpico, e estarei treinando forte para isso.

Assinatura do contrato com a Equipe Merida Brasil

 

 

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