Adriana Nascimento – Entrevista   1 comment

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Participar de uma ultramaratona por etapas exige muito preparo físico, mental e logístico. Adriana Nascimento, que tem em sua vasta galeria de troféus 9 títulos brasileiros de XCO, nos contou um pouco de como foi sua última conquista. Ela e seu parceiro, Mário Roma, estão voltando para o Brasil e trazem na bagagem o título da Transrockies, uma das mais duras ultramaratonas  do planeta.

BrasilMTB: Qual o período ideal de preparação para se disputar uma prova do nível da Transrockies e quais são os principais pontos que os atletas devem ter em mente durante esse período?

Adriana: A Transrockies é considerada uma das mais difíceis provas de Ultra Maratona, principalmente pelo percurso muito técnico, o que eleva o tempo de preparação se o atleta não dominar bem essa capacidade. Atletas experientes e bem condicionados que já competem provas de maratona precisam de pelo menos 6 meses de preparação específica, e quem não tem muita experiência recomendo treinar por pelo menos 1 ano, além de começar por uma prova de etapas menor (exemplo a Alpentur na Áustria, com 4 etapas). Os principais pontos para pensar e trabalhar nesse período são a força, resistência, desenvolvimento de habilidade técnica (subida e descida) e capacidade de “sofrer”, porque em provas como essas não é só pedalar, temos uma rotina dura para cumprir. Essa rotina inclui lavar e cuidar da bike, carregar a mala pesada, comer o que tem (a comida é boa e suficiente) sem “frescura”, suportar frio, etc.

BrasilMTB: Vocês começaram a TR com uma estratégia cautelosa, de observação, na primeira etapa mas depois não deram chances para os adversários. Como é o processo de definição da estratégia da Brasil Soul? Vocês conheciam os adversários da categoria de outras provas?

Adriana: Nessa prova não conhecíamos nenhum adversário, mas tínhamos a certeza de que quem entra na Transrockies é forte e experiente, ainda mais na categoria master. Fizemos um prólogo em ritmo conservador e tomando cuidado porque o percurso era muito técnico e com lama. Com o resultado já tivemos uma idéia de quem eram os adversários e poupamos energia para a segunda etapa que seria longa. Á partir daí a estratégia definida foi a do “pré pago” para gastar todos os créditos logo nos primeiros dias, e obter uma vantagem para administrar até o final, quando todos estão mais cansados e fica difícil tirar a diferença.

BrasilMTB: Como é a logística de uma prova de tantos dias por lugares remotos? Vocês contam com apoio externo ou cuidam de tudo sozinhos?

Adriana: A logística faz parte da preparação, temos que viajar com tudo muito bem pensado porque lá contamos apenas com a estrutura da organização, em lugares totalmente afastados de cidades, onde dinheiro não resolve muita coisa. A rotina é chegar da etapa, pegar a mala, escolher uma barraca, tomar banho no caminhão chuveiro (é muito bom, não falta água quente), lavar e lubrificar a bicicleta, separar o que é necessário para o dia seguinte, jantar e dormir. Quando chove as coisas complicam um pouco mais, porque a sapatilha precisa secar, temos que lavar equipamentos e roupas.

BrasilMTB: Mudando um pouco o foco, apesar de não ser uma modalidade olímpica, o XCM tem alguns dos maiores eventos do MTB mundial. As provas por estágios se multiplicam e o formato de disputa por equipes se consolida a cada ano. Como você vê a evolução do XCM nos próximos anos?

Adriana: Vejo que o XCM vai continuar crescendo cada vez mais no mundo todo, porque é a modalidade mais interessante para a grande maioria que quer desfrutar o esporte, as pessoas normais que trabalham, tem família e praticam o MTB para conhecer lugares diferentes, vencer desafios, etc. Quem faz uma maratona de MTB sempre quer mais e vai ampliando seus limites. Trabalhar em equipe também é um diferencial, que considero a parte mais difícil da história , mas  ao mesmo tempo é um grande incentivo encarar um desafio ao lado de amigos, família, etc.

Brasil Soul MTB Team Mario ROma Adriana Nascimento

BrasilMTB: Para terminar: você é uma das mais respeitadas treinadoras do país. Quais são os passos que os interessados em tê-la como treinadora devem seguir. É preciso morar em São Paulo?

Adriana: Trabalho com pessoas de todo o Brasil, não precisa estar em São Paulo porque o acompanhamento via internet é muito eficiente. O primeiro passo é fazer uma avaliação com médico, depois começa um processo para coleta de informações para elaborar o treinamento de acordo com os objetivos e realidade de cada pessoa.

Informações no site www.anmtb.com.br

Alguns Resultados

Mountain Bike

  • 9 vezes Campeã Brasileira de Cross-Country – 1995 a 2002 /2007
  • Campeã Brasileira de Maratona – 2007
  • Campeã Brasileira de Down Hill – 1995
  • Campeã Pan-americana – 1997 – Argentina
  • 15ª colocada na Transalp Challenge 2007 – Categoria Dupla mista
  • Vencedora do Prêmio Brasil Olímpico – 1999
  • 6ª colocada nos Jogos Pan-americanos 1999 – Winnipeg – Canadá
  • Penta-campeã do Iron Biker – 1995 a 1998 / 2007
  • Campeã do MTB 12 Horas Solo – 2002
  • Medalha de Prata nos VI Jogos Sul-americanos – 1998 – Equador
  • 4ª colocada no Mundial de Cross Country Junior – 1994 – USA
  • 6ª colocada  Mundial de Down Hill Junior – 1994 – USA
 gustavo jorge, Caio Guatelli, Vanderlei Pereira, José Rubens D'elia, Luciano KDra Lancellotti, Adriana Nascimento
Campeonato Mundial de MTB Vail – EUA, 1994. Gustavo Jorge, Caio Guatelli, Vanderlei Pereira, José Rubens D’elia, Luciano KDra Lancellotti, Adriana Nascimento

É sofrido mas é divertido

Uma resposta para “Adriana Nascimento – Entrevista

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  1. A matéria com a adriana ficou show’

    Parabéns

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